segunda-feira, 15 de junho de 2009

AINDA HÁ JUIZES EM BERLIM

Em 1745, o rei Frederico II da Prússia, ao olhar pelas janelas de seu recém-construído palácio de verão, não podia contemplar integralmente a bela paisagem que o cercava. Um moinho velho, de propriedade de seu vizinho, atrapalhava sua visão. Orientado por seus ministros, o rei ordenou:

- Destruam o moinho!

O simples moleiro (dono de moinho) de Sans-soussi não aceitou a ordem do soberano.

O rei, com toda a sua autoridade, dirigiu-se ao moleiro:

- Você sabe quem eu sou? Eu sou o rei e ordenei a destruição do moinho!

O moleiro respondeu não pretender demolir o seu moinho, com o que o rei soberano redargüiu:

- Você não está entendendo: eu sou o rei e poderia, com minha autoridade, confiscar sua fazenda, sem indenização!

Com muita tranqüilidade, o moleiro respondeu: Vossa Alteza é que não entendeu: ainda há juízes em Berlim!

Moral da história: é importante estimular a consciência cívica e rememorar a biografia desses grandes homens que fizeram a história da humanidade, para que não se percam os poderes de indignação e de ação.

O moleiro não sabia se os juízes de Berlim iriam decidir a seu favor e isso não era o mais importante. O relato serve para não permitir o esquecimento sobre a importância da independência do magistrado - valor dele inseparável.

A condição de livre, honesto, independente e obediente sim, mas apenas à lei e à sua própria consciência.

Como dizia Cícero em sua antítese: “Devemos ser escravos da lei para poder ser livres”.

"O direito é uma proporção real e pessoal, de homem para homem, que, conservada, conserva a sociedade, corrompida, corrompe-a” (Dante Alighieri).

Essa história é verdadeira e, em momentos importantes, merece sempre ser lembrada. O moinho (símbolo de liberdade) ainda impera soberano ao lado do Castelo (Palácio de Sans-soussi, em Potdsdam, cidade a 30 minutos de Berlim).

Este texto, escrito já há algum tempo e provavelmente sob outro contexto pelo juiz Roberto Bacellar, de Curitiba, terminava com a frase: "Graças a Deus, ainda há juízes no Brasil".

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