segunda-feira, 15 de junho de 2009

A ESPERA DE UM MILAGRE!

Ouço críticas à Entidade mantenedora do Hospital Santa Casa. Mesmo agora que obtivemos a decisão judicial de mérito determinando a devolução do Hospital à legítima mantenedora ABCG, após análise judicial de todas as provas que dão conta do insucesso da intervenção do Poder Público, ainda sim, vem o questionamento, mas o que vocês vão fazer de diferente para salvar a Santa Casa?

A Santa Casa é um Hospital Filantrópico. Nos últimos anos em decorrência da implantação no Brasil do SUS – Sistema Único de Saúde foi contratado pelo município de Campo Grande, que aqui tem a gestão plena das verbas do SUS, à qual deveria aduzir a sua participação financeira, para prestar serviços médico-hospitalares, ao preço de uma tabela que foi defasando com o tempo até o limite em que a receita não pode mais cobrir as despesas e a Instituição foi obrigada a emprestar dinheiro em Bancos e “comprar fiado” no crédito de que o Poder Público viria algum dia honrar o preço justo dos serviços contratados.

Não foi o que ocorreu e mesmo tendo o Poder Público Municipal, diretamente, mas secundado pelo Governo do Estado e pelo Governo Federal, este por intermédio do Ministério da Saúde, requisitado o Hospital e em seguida realizado uma intervenção absoluta e absurda, durante mais de quatro anos somente fez piorar o atendimento a população. Isto porque também não injetou recursos novos além daqueles contratuais. Pior, passou a existir um contrato com uma só parte. O Município contratante foi também o Executor dos serviços. E ninguém fiscalizou! Deu no que deu: um Hospital em colapso com uma dívida aumentada em mais que o dobro da divida original na data da intervenção.

O Hospital voltará brevemente à administração de sua Entidade Mantenedora. O que se pode esperar para que a população carente tenha um atendimento digno e seus direitos constitucionais garantidos?

Primeiro é bom lembrar o mandamento constitucional: Saúde é Direito de todos e obrigação do Estado. O Estado - no caso o município, tem contrato de 60% dos 850 leitos do Hospital Santa Casa. Deve pagar pelos serviços não somente pela Tabela SUS, que levou os médicos a esse estado de greve em que se encontram, sem atender pacientes pelo SUS. Deve complementar o valor com os recursos do seu orçamento. Chamar o Governo do Estado para ajudar. O ex-Ministro da Saúde – José Serra, principal organizador do SUS, atualmente Governador do Estado de São Paulo, ciente das dificuldades de financiamento do SUS e mais ainda da incapacidade do Poder Público administrar o sistema de saúde, entregou os Hospitais Públicos do Estado de São Paulo para serem administrados pelas Entidades Filantrópicas e passou a remunerar os serviços além da tabela SUS para garantir prestação de serviços de saúde de qualidade a população daquele Estado. Aqui não deve ser diferente.

Segundo, me lembro do título de um Filme “A Espera de um Milagre” com o qual encimei este artigo. No caso o milagre é o despertar da população para que saia da letargia em que se encontra, como se nada fosse com ela, que espera tudo do Poder Público. Até o dia em que precisar de um Hospital e encontrar o caos pela frente.

Indago do leitor, você sabe que pode doar dinheiro para a Santa Casa e abater do Imposto de Renda? Tanto na pessoa física como na pessoa Jurídica? O Hospital Santa Casa é uma Instituição reconhecida de utilidade pública municipal, estadual e federal e ainda como filantrópica. Portanto, a sua conscientização em contribuir financeiramente não precisa se limitar ao seu desembolso pessoal. Use o bom senso, ajude uma Instituição da sua Cidade da qual você ou alguém da sua família poderá precisar.

O Milagre ainda maior será convencer as pessoas da nossa comunidade que elas sim são donas do Hospital Santa Casa e que por isto mesmo podem e precisam ser voluntárias nas mais diferentes atividades do seu Hospital: para prestar assistência aos doentes como já fazem tantas Senhoras da nossa comunidade, e também para arrecadar bens materiais como roupas de cama, alimentos, equipamentos e tudo o mais que possa contribuir na redução das despesas operacionais do Hospital e desta forma potencializar a receita financeira ordinária para os gastos de pessoal e investimentos que são necessários.

Coisa simples assim, mesmo em tempo que se fala tanto em profissionalização do Hospital. Afinal, profissionais devem ser o corpo clínico e os administradores. Nós outros temos que agir com o coração e mãos como verdadeiros filantropos.

Pensando bem, milagre não se espera. A gente produz milagres a partir de nossas ações. Seja bem-vindo!

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