domingo, 7 de junho de 2009

ESPERANDO GODOT, PREFEITO?

Esperando Godot é uma peça de teatro de Samuel Becket - 1906/1989, considerada pelos críticos como obra prima do "Teatro do Absurdo", pela temática e redação e que deu ensejo a referência como algo impossivel ou a uma espera infrutífera.

Vou tentar fazer um resumo do resumo da Wikipédia, onde o leitor poderá encontrar uma boa descrição da Peça.

No primeiro ato, em um lugar indefinido dois amigos se encontram: Estragon e Vladimir. A primeira frase dita na peça, por Estragon, já indica a inutilidade da presença deles naquele lugar: "nada a fazer". Eles lá se encontram para esperar um sujeito de nome Godot. Nada é esclarecido a respeito de quem é Godot ou o que eles desejam dele. Em seguida, entra um garoto para anunciar que quem eles estão esperando - Godot - não viria hoje, talvez amanhã.

O segundo ato é a cópia fiel do primeiro. O cenário é o mesmo, e os amigos Estragon e Vladimir voltam para esperar Godot, que talvez apareça nesse dia. Iniciam outro diálogo trivial, interrompido outra vez pela chegada de Pozzo e Lucky. Só que, inexplicavelmente, Pozzo está cego e Lucky está surdo. Dialogam. Após a partida destes, aparece um garoto (diferente do garoto do primeiro ato) anunciando que Godot não viria hoje, talvez amanhã.

O diálogo final, que encerra o ato e a peça é o seguinte:

- Vladimir: Então, devemos partir?
- Estragon: Sim, vamos.
E eles não se movem.

E o que tem a ver essa obra prima do teatro com o Prefeito e a Santa Casa?

Bem, tem os personagens, o lugar, a indefinição da entrega do Hospital ao seu legítimo dono a ABCG, o absurdo do local estar sendo totalmente sucateado e não haver a solução para o atendimento adequado da população que precisa de tratamento médico-hospitalar. A espera pela boa gestão de parte do poder público.

Tudo começa com um Decreto Requisitório do Prefeito Municipal por recomendação de autoridades ministeriais que entendiam estar a Santa Casa mal administrada. E nao estava. Faltava recursos financeiros porque a como tudo sabe a tabela SUS estava defasada e o Hospital tinha que pagar mais para os médicos e empregados do que recebia. E com base em uma auditoria do Denassus que é sempre referida no nome, mas nunca nos fatos. Porque foram todos esclarecidos como corretos pela anterior administração baixou-se o ato requisitório de bens e serviços.

De requisição, passa-se a Intervenção na Personalidade Jurídica da Instituição. É como se as autoridades pudessem tomar o seu RG e CPF e fazer uso deles para o que entendam ser correto. Inclusive, sacando dinheiro de suas contas bancárias.

Vem a primeira sentença judicial que diz ser ilegal a intervenção na personalidade jurídica e diz ainda que se a Prefeitura pretendesse continuar com o ato requisitório deveria fazer a gestão do Hospital em seu próprio nome. O Município, de forma inusitada, consegue a Suspensão da Execução da Sentença.

O Prefeito chama os representantes da ABCG para dialogar pela entrega. Mas com condições pré-estabelecidas. Quer indicar nomes para a presidência.

É negociada a sucessão do então Presidente Arthur D´Ávila, o ex-Vereador Elias Gazal Dib. Ele toma posse e o Prefeito nega-se a devolver o Hospital.

Terminada a gestão de Elias Dib o Prefeito novamente negocia um nome para presidir a instituição, agora o meu nome. Fui eleito e empossado e o Prefeito nesse ínterim negocia com membros do Ministério Público uma intervenção judicial. E o Hospital nao é devolvido.

Sob a interveniência do ex-Governador Wilson Barbosa Martins e dois deputados estaduais, negocia-se a devolução da Santa Casa. Marca-se data para a entrega com um período de gestão compartilhada e nada.

Vem a segunda sentença, agora na Ação Civil Pública e diz que a intervenção não pode continuar porque é ilegal e que o Hospital deve ser imediatamente devolvido. E o Senhor Prefeito negocia com o Ministério Público para interpor todas as possibilidades de recursos para impedir a execução da sentença.

Agora, quando a Câmara Municipal é provocada pelo colapso a que chegou o nosso Hospital Santa Casa e quer instaurar uma CPI, o Prefeito diz que não se negou a devolver o Hospital e paradoxalmente alega que "a gente só vai tranquilizar nesta questão quando a gente tiver certeza que quem entrar la dentro vai administrar aquilo igual ou melhor do que a gente."
É ou nao é algo parecido com a peça de Teatro?

A gestão pública que foi incapaz de solucionar as dificuldades do Hospital somente demonstra que a Mantenedora vendia serviços ao Município por preço aviltado. A Prefeitura, mesmo tendo o caixa da gestão plena do SUS e os recursos orçamentários próprio, ali nao investiu e por isto nao melhorou o antendimento. Aliás piorou e muito.

Depois de quatro anos e meio espera o Prefeito do Poder Judiciário que modifique a decisão judicial para continuar administrando o Hospital e promete investimentos. Por que não investiu nesses quatro anos e meio? A dívida mais que duplicou. O atendimento caiu pela metade. A qualidade do serviço decaiu por falta de equipamentos e de medicamentos.

Para tirar o Prefeito do impasse em que se encontra eu dirijo-lhe um pedido. Cumpra a decisão judicial. Pare de pressionar o Ministério Público e o Poder Judiciário para atuar contra a legalidade. Pode ter a certeza de que o Hospital Santa Casa será melhor administrado pela nova diretoria da ABCG do que está sendo agora.

E assim será para o benefício da população que não está tendo acesso aos serviços que merecem. Para o benefício do município que sempre teve a Santa Casa como parceira na área hospitalar e isto por mais de oitenta anos.

A nova diretoria da Associação Beneficente tem um projeto pronto para a recuperação do Hospital e os nomes definidos dos técnicos para recomeçar com uma administração profissional. Convoque uma Audiência Pública para essa entrega, com a presença do Ministério Público, do Poder Judiciário, da classe política, de representantes da sociedade civil, onde nos comprometemos a apresentar o nosso plano de gestão.

Pare de esperar por Godot. É inútil.

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