sexta-feira, 12 de junho de 2009

INSTITUIÇÕES SÉRIAS, MAS...

O Texto a seguir é publicado no intuito de provocar um debate sobre os valores éticos , com autorização do seu autor ORIVALDO LACHI, assessor da presidência da FUNLEC em Campo Grande/MS:

"Participamos recentemente (02.05.2009) de um ato público em que se congregrou as potencias maçônicas do estado que juntamente com a OAB celebrou um protocolo de intenções de se pugnar por postura ética, sobretudo, na política e na condução de questões de grande alcance e interesse sociais.

Temos inicialmente que louvar a iniciativa porquanto sabemos a quantas andam os valores éticos e de justiça no cenário político de hoje, além de conhecer a representatividade dos atores envolvidos.

Vejam bem a que ponto chegamos. Falar de ética entre ordens maçônicas e de justiça na OAB, mesmo que seja para um chamado de cooperação, parece ser um grande contra senso. São entidades estas que deveriam ser o repositório insofismável de ética e justiça. E muito provavelmente o seja. Todavia, não se pode negar que grande parte, senão a maioria, dos nossos representantes políticos e dos nossos poderes constituídos (judiciário, conselhos, tribunais, ministérios) tem seus membros oriundos destas entidades. Ora, se estas entidades cultivassem realmente nos seus quadros, como mandam as regras, a ética, a justiça, a busca de solução equânime dos problemas que preocupam e ameaçam o mundo e o homem de hoje, certamente, o trabalho da maçonaria e da OAB para “fazer vingar” os propósitos deste protocolo seria bem menor, senão inócuo, porque desnecessário.

Se o aperfeiçoamento dos costumes e o trato com a verdade e a ética fossem fáceis, o homem já estaria, sócio e eticamente, ocupando patamares mais auspiciosos no campo da sua evolução como ser. Os filósofos gregos já chamavam a atenção da polis para as questões políticas. Os problemas continuam a se arrastar pelo traçado da história. À medida que o homem avança em tecnologia criando facilitadores ao seu bem estar, parece comprometer-se mais e mais com maquinações escusas de manipulação e aviltamento ético. E, o que é pior, tudo isso em nome da eficiência e do progresso.

Não poso deixar de achar positivo o gesto das instituições. Acredito até que se possa, por este meio, prover resultados surpreendentes nas campanhas encetadas. Louvo a seriedade, a competência retórica e a empolgação dos pronunciamentos ali proferidos. Assusta-me o número de ternos e gravatas que prestigiavam o evento: a responsabilidade sobre o êxito do evento cresce. Se tudo isto for real-realmente, os frutos não poderão deixar de aparecer.

É de se esperar que esta campanha se expanda e ganhe proporção de nível nacional. Mas o que realmente tem que acontecer é a transformação institucional promovida pela mudança de cada um de seus membros. Tem-se que mudar o homem. É claro que a união faz a força. Não obstante a força de maior sinergia é aquela em que cada um gere energia pura e consciente oriunda de sua própria ação transformadora. Ou seja, cada uma destas instituições deve exigir de seus membros posturas ética e de justiça antes de promovê-los ou apoiá-lo para, seja lá pra que função ou cargo for. As instituições têm que chamar para si estas responsabilidades e dar o exemplo. Aí, sim, acho que estaríamos iniciando um trabalho proficiente.

O que vemos em muitas destas instituições é uma atitude corporativista de promover e não exigir qualidade. De apoiar em troca de benefícios. De tentar promover a ética sem se auto analisar as próprias posturas.

Por isso é que temos no Brasil milhares de instituições, entre elas Senado, Câmaras, Assembléias, Tribunais, que se arvoram em defensores de princípios, mas que se perdem e se contaminam pela putrefação interina da falta de higiene moral."

2 comentários:

  1. Uma reflexão realmente oportuna.

    Mais ainda por ter partido de um dignatário de Instituição da qual faço parte e que, infelizmente, se utiliza de sua importância histórica sem, no entanto, participar do momento presente.

    É preciso que nossa Instituição se conscientize de seu peso, de seus valores e da necessidade de ação.

    Não basta restringir-se ao discurso enquanto a LEI, que juramos defender, está sendo enterrada pelo entulho autoritário.

    No passado derrubamos monarquias, lutamos pela liberdade, a mesma liberdade que hoje nos é arrancada a partir de ações como as que Prefeitura e Poder Judiciário orquestram para colocar na administração do maior hospital do Centro Oeste mais um interventor.

    Onde está nossa Ordem? (e não falo da profana)

    ResponderExcluir
  2. Como é fácil falar de ética. Aplicá-la, mesmo, é desafio que se mostra além de ordens ou desordens. O que nos falta mesmo (a nós, seres humanos) é vergonha.

    ResponderExcluir