quinta-feira, 16 de julho de 2009

DEMOCRACIA E PERPLEXIDADE!

Este texto foi publicado hoje no Ex-Blog do César Maia e extraído do Jornal Espanhol El Pais-11/7. São Trechos do artigo de José Vidal-Beneyto (Diretor do Miguel Servet de París e presidente da Fundación Amela).

1.Vivemos um momento de perplexidade. O império da corrupção, do descrédito nas instituições, o nepotismo, o opróbrio inesgotável em que está a política, levaram a quebra de todos os valores públicos, a implosão de todas as referencias coletivas, o que nos deixou mergulhados na confusão, atônitos e inertes, sem pautas e sem bóias em que nos agarrarmos. A partir dos anos 70 se afirma o enclausuramento do fator público nos partidos e a tendência à endogamia e ao sectarismo partidocrático.

2. Ao mesmo tempo, sua ação se reduz às lutas pelo poder e com demasiada freqüência ao enriquecimento. Clientelas e corruptelas em geral e o cinismo como base, se convertem em dados do cotidiano político. Era inevitável que os cidadãos se desinteressassem pelas disputas políticas e que rechaçassem seus métodos. De fato, a abstenção nas eleições européias, é antes de tudo uma crítica à política atual e à falta de opções claras, conseqüência da atenuação dos perfis que diferenciam os grandes partidos, o que os faz , programaticamente, cada vez mais próximos. A transposição geral da socialdemocracia ao social-liberalismo ou o implacável desmantelamento do setor público, são alguns dos principais responsáveis pela debilidade da esquerda européia.

(...)

5. A luta pela contra-hegemonia deve começar, esquecendo um pouco as lutas de poder dos partidos, e insistindo cada vez mais que o problema não é em quem votar, mas para que votar, o que exige enraizar-se na cidadania. Frente ao descrédito da política e o encolhimento dos políticos, o movimento social e os atores sociais de base precisam ocupar o protagonismo principal.

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