quinta-feira, 17 de setembro de 2009

PORTUGAL DE MIGUEL TORGA

Acabo de ler o livro de Miguel Torga - Portugal - que descreve a sua viagem de reencontro ao seu país depois de viver longos anos no Brasil. Como pretendo viajar pelo interior de Portugal o livro veio a calhar. Pela descrição exata e minunciosa dos lugares que se inicia na cidade de Olhão, ao sul e terminando na cidade de Monção, ao norte o livro é um registro das belezas e da cultura do também sentimentalmente nosso país lusitano.
De Miguel Torga fala-nos o lúcido e intelectual político Mário Soares: "Fiel às suas raízes, português até a medula, sem deixar de ser ibérico, profundamente ligado ao Atlântico e ao Brasil - sua segunda pátria, onde viveu em jovem, como pobre emigrante - transmontano e universal. Miguel Torga, ao longo da sua vasta obra, nos dezesseis volumes do seu Diário, na poesia, nessa obra prima que são os Poemas Ibéricos, nos Contos, como nos Novos Contos da Montanha e nos Bichos, no romance e em todos os seus escritos, reflectiu, como ninguem, sobre a identidade portuguesa, lançando sempre, ao mesmo tempo, um olhar crítico, de extrema lucidez e actualidade sobre os grandes problemas do seu tempo."

E o livro inicia-se com o belo poema sobre a sua definição de pátria:
"Pátria
Soube a definição na minha infância.
Mas o tempo apagou
As linhas que no mapa da memória
A mestra palmatória
desenhou.
Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar."

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