quarta-feira, 18 de novembro de 2009

JORNALISTA TARSO DE CASTRO

Quem não leu o semanário O Pasquim na década de 70/80? Era um irreverente instrumento de imprensa contra o regime ditatorial. O Jornalista Fred Suter, na Revista Joyce Pascovitch deste mês, traz uma extensa reportagem sobre a vida (e que vida - namorou as mais belas mulheres solteiras ou casadas, do Brasil, além da atriz Candice Bergem dos EEUU) e obra do jornalista Tarso de Castro, um gaúcho que ao lado de Jaguar, Sérgio Cabral, entre outros, dirigiram o jornal oposicionista ao regime militar, que tinha ainda, Paulo Francis e Millor Fernandes como jornalistas de ponta.

O que quero lembrar é a fina ironia com que tratava os militares que o perseguiam por seu trabalho político libertário. Fred Suter relembra:

"Os anos de ditadura dificultaram a vida profisisonal de Castro. Seus ataques aos principais comandantes militares já nao eram mais tolerados. O talento, entretanto, o fez encontrar a saída: a ironia. Em 1969, com a imprensa oprimida, ele resolveu rebelar e, debochadamente, fez uma lista com seis pedidos ao então presidente, Costa e Silva. Pedia entre outras coisas que, com a maior rapidez, o governo tomasse alguma atitude contra o casamento da socialite Regina Rosemburg, com o francês milionário, Gérard Leclery; punisse o colunista Ibrahim Sued por não incluir a também socialite Silvia Amélia Marcondez Ferraz, hoje Waldner, na lista das dez mulheres mais bonitas do Rio de Janeiro. E terminava, cinicamente: "Não estará o governo atento aos problemas sociais? Se está, já sabe que eu e o Carlinhos de Oliveira - um bom vivant, amigo das primeiras horas cariocas de Tarso - fomos obrigados a reduzir a nossa dose de alimentos de primeira necessidade em razão do violento, inexplicável e ultrajante aumento do uísque escocês?"

Bem, com um povo capaz de produzir uma correspondência assim com os ditadores, não teria mesmo como sobreviver qualquer ditadura.

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