terça-feira, 29 de dezembro de 2009

BRASIL PERDE COMPETITIVIDADE NA INDÚSTRIA

Quando se ouve o discurso ufanista do Presidente Lula, o grande público não informações para avaliar a verdade do que ele diz. Segue Trechos do Editorial do Estado de SP (28/12/2009). Talvez tenha faltado agregar que com a crise de 2008/2009 a exigência tecnológica, de maior produtividade e competitividade, aumentará significativamente nos próximos anos.
A indústria de transformação brasileira registrou um superávit recorde de US$ 22,4 bilhões em 2005, mas, desde então, suas importações crescem mais depressa do que as exportações. Em 2008, registrou o primeiro déficit comercial (de US$ 7,17 bilhões) desde 2001 e, em 2009, o resultado negativo deve ficar entre US$ 6 bilhões e US$ 7 bilhões. Mas, em 2010, poderá superar o déficit de 1998, o maior já registrado até agora (de US$ 11,3 bilhões).
Não foi a crise mundial que provocou essa mudança. A deterioração da balança comercial da indústria brasileira começou bem antes da quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008. Tantas vezes apontada como a grande vilã do comércio exterior, na verdade a taxa de câmbio tem um papel secundário na transformação pela qual vem passando a balança da indústria, como reconhecem instituições de pesquisas ligadas ao setor. Outros fatores reduzem a competitividade do produto brasileiro.
O Brasil, diz o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), tem um grande déficit na "competitividade sistêmica". Altos custos do crédito interno, tributos muito elevados e "indevidamente cobrados", encargos excessivos sobre a folha de salários, o alto custo e a má qualidade da infraestrutura são os fatores apontados pelo Iedi, junto com a valorização do real em relação ao dólar, como responsáveis pela perda do dinamismo das exportações da indústria brasileira.
É nos segmentos que usam mais intensivamente a tecnologia que a indústria apresenta, nos últimos anos, os piores resultados comerciais. Esse fato foi observado em 2008 e se repetiu em 2009. Nos três primeiros trimestres desse ano, os segmentos de alta e média-alta intensidade tecnológica registraram déficits comerciais muito altos, de US$ 12,7 bilhões e US$ 19,2 bilhões, respectivamente.
Esses números mostram que o Brasil não acompanha a tendência do comércio mundial, no qual os segmentos mais dinâmicos são justamente os de maior intensidade tecnológica.

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