segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

PURGATÓRIO - CANTO XI - DANTE ALEGHIERI

Ao menos os corruptos de Brasília deviam orar com uma certa cultura. Talvez rezar o poema de Dante Aleghieri, assim:

"Ó Padre nosso que nos Céus estás,
não circunscrito, mas em todo o amor,
que aos primos entes do teu feito dás,
louvado seja o teu Nome e Valor,
por toda criatura, à qual apraz
render graças também ao teu Vapor.

Bem venha do Teu reino a nós a paz,
porque de procurá-la, se dos Céus não vier mais,
nosso engenho é incapaz.

Como, de seu querer, os anjos teus
fazem, cantando a ti, renúncia pia,
o mesmo façam os homens dos seus.

Dá-nos hoje o maná de cada dia,
que, se faltar neste deserto infindo,
vi pra trás quem pra frente mais porfia.

E como nós o mal que hemos sofrido
a cada um perdoamos, tu perdoa benigno,
sem cuidar se é merecido.

Nossa virtude que preste esboroa
não experimentes co' o antigo adversário
mas dele nos liberta, que a aguilhoa.

Este rogo, Senhor, que último eu digo,
por supérfluo, não é pra o nosso bando,
mas pra os que ainda não têm o seu castigo".

[Dante Alighieri, escritor italiano, nasceu na cidade de Florença no ano de 1265. Estudou Teologia e Filosofia, sendo profundo conhecedor dos clássicos latinos e dos filósofos escolásticos. Pertenceu ao Partido Guelfo, lutou na Batalha de Campaldino contra os Gibelinos e, por volta de 1300, iniciou a carreira diplomática. Em 1302, foi preso por causa das suas atividades políticas.]

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