terça-feira, 5 de janeiro de 2010

LÍDERES FACTÓIDES

Análise sobre lideranças na coluna do político carioca César Maia, na Folha de São Paulo de 2/01/2010, sob o título Indívduo e Política:
"Curiosa convergência entre populismo, liberalismo tradicional e marketing político. Para eles, quem faz a história é o indivíduo, de acordo com a sua vontade. Assim se acha o líder populista, que se considera o próprio movimento. Já na lógica da análise liberal, tradicional, a história se confunde com os indivíduos que lideram os processos. Sempre é bom lembrar um repetido trecho de Marx no início do "18 de Brumário" (1851): "Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; nem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob aquelas legadas e transmitidas pelo passado".
Se não bastasse esse binário, nas últimas décadas, a tecnologia publicitária aplicada às campanhas eleitorais maximizou a função do indivíduo, não poucas vezes, criando um personagem, ao fantasiar o candidato com esse figurino. A cada dia é maior o destaque do indivíduo como a razão da política.
Esse foco na pessoa dos chefes de governo tirou visibilidade de seus assessores, possíveis sucessores. Lula é exemplo disso. Por um lado, sente cócegas para intervir na mídia. Não podendo, gasta bilhões. E, naturalmente, sua candidata o é por decisão pessoal. Ela nunca disputou eleição, não tem currículo no partido. É levada como andores da romaria de N.Sra. da Pena, em Vila Real, para que seja percebida. As campanhas eleitorais se resolvem em si mesmas. Por isso o candidato da oposição não tem pressa. A imprevisibilidade aumenta, a política se torna inorgânica, representantes se descolam de representados e os riscos relativos ao governo eleito se multiplicam."

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