quarta-feira, 30 de março de 2011

PARTIDOS (E POLÍTICOS) DE COOPTAÇÃO!

Fonte: ex-Blog do César Maia.

1. Desde os anos 60 que o sociólogo Simon Schwartzman vem demonstrando que no Brasil não há partido de representação. Que, uma vez no poder, todos os partidos são de 'cooptação', ou seja, se parecem e passam a atrair seus competidores para a distribuição de poder. Ele dizia que uma razão do golpe de 64 era o risco que um partido de 'representação', como o PCB, empolgasse o poder.

2. A explosão de preços e juros, que antecederam a posse de Lula -ainda em 2002- deram razão a Schwartzman: vinha aí um partido de representação. Mas..., não veio. O PT no poder deu curso ao que se vê desde sempre na política brasileira: tornou-se um partido de 'cooptação'. E seus adversários, competidores e críticos de antes, passaram a conviver com ele no poder, de forma..., natural.

3. Se for assim, a recíproca é verdadeira. Ou seja, os partidos que perdem as eleições querem ser cooptados, querem usufruir do poder. Às vezes como partidos; às vezes como senadores, deputados federais, deputados estaduais, governadores, prefeitos e vereadores de partidos, antes adversários. E muito mais quando perdem eleições e não conseguem pensar em nada mais que estar na nova máquina para disputar, no futuro, novas eleições.

4. Certamente essa é a razão para que a oposição seja quase sempre frágil para enfrentar os governos, em todos os níveis. Mesmo quando esperneia, como foi o caso do PT, para depois, no governo, aderir à mesma lógica. Agora mesmo vemos isso ocorrer em nível federal, estaduais e municipais. "Com o PT transgenizado no poder, qual o melhor caminho para aderir?", pensam muitos. Vale, mesmo para aqueles que já estão na chamada base aliada, mas que querem estar nela com maior intimidade. E aí vem os 'jeitinhos': novos partidos, fusões... Antes era automático. Agora só dá mais um pouco de trabalho.

5. Claro que na hora de aderir, para não passarem vergonha, criam explicações e justificativas, e conflitos artificiais em partidos, e em todos os níveis. A mídia, na lógica universal da dramatização, destaca as explicações e críticas, e não as razões ocultas. E naqueles grupos ainda há os que não conseguem sobreviver à falta de crachá que, para esses, é sinônimo de recursos. Como dizia um deputado à espera de Obama no Theatro Municipal: "há 'deputados' que buscam recursos para fazer política; e há 'deputados' que buscam a política para fazer recursos". Uma pesquisa por evidências poderia medir as proporções.

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