terça-feira, 13 de março de 2012

O DISCURSO DE PÉRICLES EM ATENAS

Ano 431 a.C Péricles foi escolhido para homenagear os guerreiros mortos na primeira batalha da guerra do Peloponeso.

Na ocasião, o general fez o elogio de Atenas e sua democracia, indicando assim que eles haviam morrido por uma causa nobre. Na época, Atenas vivia o ápice da democracia e o discurso, além de ser um dos maiores clássicos da oratória política, é também uma perene exaltação deste sistema de governo.Veja a distância no tempo e nas práticas democráticas neste pequeno trecho do discurso:

"Nossos homens públicos, além da política, possuem atividades privadas, e nossos cidadãos, ainda que ocupados nos seus negócios, são julgadores sensatos das questões públicas."Depois de falar sobre a história de Atenas e suas glórias militares, Péricles apresenta as razões que explicam a grandeza da cidade.

"Mas qual foi a estrada que nos levou a atingir esta posição, qual a forma de governo sob a qual nossa grandeza desenvolveu-se, quais os hábitos nacionais que a geraram; estas são as perguntas que eu vou tentar responder antes de fazer o meu panegírico destes homens.

Nossa constituição não copia as leis de outros estados; nós somos um modelo para os outros e não imitadores. Nossa administração favorece aos 'muitos' ao invés dos 'poucos' e é por isso que é chamada de democracia.

Se olharmos as nossas leis, elas asseguram justiça igual para todos nos seus litígios privados; o progresso na vida pública depende da reputação de capacidade e as considerações sobre classes não podem interferir com o mérito; se um homem é capaz de bem servir ao Estado ele não é impedido pela obscuridade de sua condição.

A liberdade que gozamos no nosso sistema de governo estende-se também para a nossa vida em sociedade. Nós não exercemos uma invejosa espionagem uns sobre os outros (...) embora toda esta liberalidade nas relações privadas não nos torne cidadãos que não respeitam as leis. Este temor(desobediência às leis) é a nossa principal salvaguarda. Ele nos ensina a obedecer aos magistrados e às leis, tanto as que estão impressas em documentos, como as que integram aquele código que, embora não seja escrito, não pode ser quebrado sem causar conhecidas desgraças (lei natural)."

Um comentário:

  1. Oportuno o seu post,ele é um convite magnífico para pensarmos o limiar entre a moral e as leis.
    Ele faz pensar que o nosso país está ruindo porque não fortaleceu a sua Inteligência e os segredos da sua Soberania Nacional.
    A base da obediência civil está na família e nas escolas. Sem prevenção primária nunca haverá equilíbrio social e ordem pública.
    Faltam pensadores, e políticos pensadores.

    adonadosenadofederal.blogspot.com

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