terça-feira, 26 de março de 2013

PORONGAS OU AS CHEFIAS MICRO-SOCIAIS

O Historiador Luis Alberto Romero, escreveu no Jornal Argentino Clarín do dia 21/03/2013, sobre o fenômeno das Lideranças ao longo do tempo. Analisa o caso dos "porongas", que também é um fato brasileiro, especialmente nas grandes metropoles e regiões de fronteira, ligado ao mundo da criminalidade das drogas e contrabando de armas. Veja a síntese do seu artigo:
 
Gustave Le Bon estudou a psicologia das multidões. Georges Sorel explicou a capacidade de mobilização dos mitos. Max Weber criou a fórmula da "liderança carismática das massas" e vinculou com os religiosos. José Ortega y Gasset relacionou essas novas lideranças com a rebelião das massas, a busca de novos líderes. Muitos falaram de cesarismo. Com o fascismo em vista, Gino Germani propôs a ideia das "massas em disponibilidade", prontas para o chamado do líder. Ernesto Laclau propôs recentemente uma versão, que se não é inteiramente original, tem-se revelado um sucesso. Ele formulou a questão da liderança enfatizando a capacidade de inclusão e mobilização do discurso populista.
 
Existe outro caminho possível: estudar essas massas, geralmente evocadas de forma geral, e encontrar nos meandros de um grupo social específico o surgimento de chefias micro sociais. 
 
Jorge Ossona, historiador e etnógrafo, explorou o mundo das favelas de Buenos Aires nas últimas décadas, destacando a figura desses pequenos chefes, conhecidos como “porongas”. A palavra, muito comum, refere-se às formas elementares de liderança. Também eram referências sociais. Os “poronga”, a seu modo, são responsáveis por “seu povo”.  Estabelece alguma ordem, certa legalidade, até mesmo alguma moral. O mundo em que surgem e se desenvolvem os “poronga” não é anômico. A droga agregou um mundo novo e o perfil dos “poronga”.
 
Entre os “poronga” existe uma hierarquia e uma possível carreira. Começam ajudando alguém já estabelecido, podem consolidar um território próprio e podem ir além, criando uma ligação com a estrutura política. O que os classifica como “poronga” é a capacidade comprovada de condução, com subordinação e lealdade. Exceto quando se trata de traição, inevitável em um mundo complexo e instável. Não é preciso dizer muito mais sobre as implicações políticas dessa estrutura que articula não os indivíduos, mas os grupos. Vale a pena notar que, para seu funcionamento, não é essencial o amor, a fantasia, o mito ou a história. Não são excludentes, mas não são essenciais.

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