sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Os símbolos pátrios estão mortos?

É com pesar que vejo o desapego para com os símbolos da pátria, do Estado, do Município, por parte das autoridades executivas eleitas. Ao invés de privilegiarem a bandeira, o brasão, veem-se em destaque de suas administrações esses pobres símbolos pessoais multicoloridos, em flagrante afronta ao principio constitucional da impessoalidade. Por certo, na idealização insensata por parte deles de que somos todos idiotas e que ficamos maravilhados com essas criações aberrantes.

A passagem pelo Poder nas democracias republicanas é efêmera. O Poder não pode ser assumido com esse sentimento de propriedade pessoal, imperial, que se vê hoje em dia. Indigentes cívicos são incapazes de reconhecer a brevidade de suas passagens pelos cargos e tascam suas pobres marcas pessoais nos lugares mais inadequados, em totens às vezes mais caros do que a obra realizada (já vi uma placa de 9m X 6m anunciando a “obra” de colocação de um semáforo), papéis públicos e até em viaturas do Transporte Público.

Usam esses símbolos pessoais em campanhas eleitorais e, sem qualquer pudor, introduzem essas marquinhas vagabundas como símbolos de Governo. Peço licença ao Senador Cícero, aquele do Império Romano, para plagiar a sua frase: Até onde abusarão de nossas paciências?

Escrevo para registrar que estou enojado de ver como representação de nossas Instituições essas bandeirinhas multicoloridas de festas juninas, enezinhoszêzinhoscoracõeszinhos, esses diminutivos incultos. Comparo quem deles fazem uso a esses pichadores impunes que emporcalham os espaços públicos.
As marcas de Estado devem prevalecer. Seja pela exigência legal de representação permanente, seja pela simbologia que registra a partir de estudo sério, impessoal e adequado.

O país tem seus símbolos que são sua bandeira, seu hino, seu brasão. Cada Estado possui similares símbolos, bem assim os municípios. A Constituição da República consagra e exige a conduta impessoal aosadministradores públicosEstá mais do que na hora de nosso Ministérios Públicopatrono da sociedade civil,tomar a iniciativa junto ao Poder Judiciário para dar um basta a essas práticas incivilizadas.Responsabilizando civil e criminalmente os tais ímprobos pela apropriação das Instituições Públicas. Fazendo-os indenizar financeiramente a Fazenda Pública pelo mau uso do dinheiro mal gasto nesses atos abusivos.

E que possamos em breve nós os mais velhos, voltar a valorizar, aqueles mais jovens, aprender a amar ossímbolos permanentes de nossas Instituições Republicanas. E, em solene ato de constrição perante nossos símbolospodermos dizer com o Poeta Castro Alves:

 Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto! ...

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança, 
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...

Nenhum comentário:

Postar um comentário